“Farinha pouca, meu pirão primeiro.”

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A decisão do presidente Lula em ceder as pressões dos estados e manter os mesmos critérios de distribuição dos 'royalties' da exploração do petróleo da camada pré-sal, me fez lembrar do velho ditado popular “Farinha pouca meu pirão primeiro”.

Penso que, o presidente, desperdiçou a oportunidade ímpar ofertada pelo advento pré-sal, pois o que se pretendia era a implantação de uma nova política de distribuição extensiva aos demais estados da federação, o que na prática não acontecerá por causa da pressão dos estados que mais ganham com a exploração de petróleo (Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo).

Poderia até concordar com a afirmação desse adágio popular não fosse o simples fato de que, estimativamente, a quantidade da farinha em questão (o petróleo e gás natural), extraídos da camada pré-sal, poderá ser a maior já registrada em toda história. Por isso temo, que com essa decisão, vivamos outra vez, o período na década de 80, em que se achou ouro em Serra Pelada – PA, naquela época a imprensa nacional e internacional, semelhantemente, destacou a descoberta do maior jazigo de ouro do mundo e com a extração do mesmo se resolveria todos os problemas da nação, inclusive o pagamento da famigerada dívida externa, o que não aconteceu. O ouro foi todo extraído, o meio ambiente agredido covardemente, a dívida continuou crescendo e nenhum estado brasileiro, nem mesmo o Pará foi beneficiado com os recursos oriundos desta fonte.

Não é preciso ser 'expert' em mineração, para se concluir que o ouro de Serra Pelada, foi enviado e vendido a preço de banana (o que é pior), ao primeiro mundo para depois de ser transformado em finas peças e acessórios do vestuário, voltar para o Brasil centenas de vezes mais caro.

Talvez nem todos concordem com a minha opinião, mas é o que eu penso.

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